Nossa História

História do Centro Espírita Léon Denis
Sob o aspecto material
Altivo

Vou tentar me recordar da história da fundação do Centro Espírita Léon Denis. No final do ano 1960, um amigo de trabalho, o Hermenegildo Santos de Souza, convidou-me para participar de uma atividade no Lar de Soninha, abrigo para meninas, em cuja sede funciona, atualmente, o Lar de Daniel, um centro de atendimento a portadores de deficiência. Ele desenvolvia uma tarefa em um centro de Umbanda, e foi lá que conheci nossos amigos Argeu, Cidinha e D. Maria da Glória, mãe de Cidinha. Entre nós quatro surgiu uma boa amizade. Eu freqüentava, na época, uma casa espírita chamada Lar de Tereza. Um dia, D. Maria da Glória me convidou para fazer uma prece por um amigo de sua família, que estava doente.

Seu nome era Ernesto, ele havia sofrido um infarto e se encontrava em um quarto, sem poder ser removido. D. Glória, Cidinha e eu dirigimo-nos para lá. Aplicamos-lhe o passe e retornamos aos nossos respectivos lares. Passei a visitá-lo todos os sábados, na parte da tarde. Tornou-se um costume visitarmos o Sr. Ernesto aos sábados, encontrando-nos lá, sem que houvéssemos combinado anteriormente, pois sequer tínhamos telefone. Um dia encontramos o Sr. Ernesto muito mal, dizendo que não queria visitas, porque ficava muito tenso. Fomos, então, para a casa de D. Glória, que era relativamente perto da casa dele, e de lá fizemos uma vibração por ele. D. Glória sugeriu, então, que nos reuníssemos semanalmente.

Foi um consenso. Eu, ela e Cidinha resolvemos fazer isso todo sábado. Depois que saíssemos da casa do Sr. Ernesto, ou mesmo antes da prece, nos reuniríamos na casa de D. Glória, para orar e para estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo. Daí foi surgindo o que se denomina culto cristão no lar. Posteriormente, congregaram-se ao culto a nossa querida Neuza Trindade e sua irmã Elvira. Depois, a irmã Nair Quilino foi por elas trazida. Todas trabalhavam em outras casas espíritas. Todos nós nos reuníamos para fazer oração, e assim um pequeno grupo começou a se formar, encontrando-se na casa de D. Glória, aos sábados. Outras pessoas foram chegando: a irmã Haidéa Varonelas Galvão, depois o Gildo, irmão da Elvira e da Neuza, e outras mais. Nessas circunstâncias, com a chegada de tanta gente, atraiu-se a vinda de companheiros de outras casas e, a partir daí, novas pessoas aproximaram-se por causa de doença e problemas espirituais. Isso fez com que iniciássemos um trabalho voltado ao tratamento de doentes, que é uma importante característica do nosso centro. Com a aproximação de outros companheiros, começamos o estudo do "Evangelho Segundo o Espiritismo".

É importante ressaltar que fazemos, ainda hoje, os nossos estudos com vistas ao ensino doutrinário. Com isso, outras pessoas foram chegando. Assim, resolvemos aIgo fez com que iniciássemos um trabalho voltado ao tratamento de doentes, que é uma importante característica do nosso centro. Ampliamos nossos estudos, incluindo as obras de André Luiz, quinzenalmente, às terças-feiras, na casa da nossa irmã Haidéa, em Bento Ribeiro. Desde então, o estudo das obras de André Luiz tornou-se uma característica bem forte em nossa casa. Um fato interessante é que, em tantos anos de estudos dos clássicos de André Luiz, nunca foi por nós estudado o livro "Nosso Lar". Sempre se optou por outros livros. Certa vez, na casa de D. Glória, através de uma vidência, percebi a aproximação do espírito Dr. Bezerra de Menezes, que nos disse que o culto estava indo muito bem. Apontando somente para "O Evangelho" e "O Livro dos Espíritos", mesmo havendo outros livros sobre a mesa, e dirigindo-se a mim, ele falou: “Enquanto vocês estiverem estudando estes dois livros, eu mesmo e outros bons espíritos estaremos com vocês. No dia em que vocês deixarem o estudo desses livros, nós nos afastaremos”.

De modo que ficou bem caracterizada, através dessa visão, a necessidade de mantermos o estudo de "O Evangelho" e "O Livro dos Espíritos". Graças a Deus nunca nos afastamos desse estudo e a sua palavra só confirmou esta necessidade. Com o crescimento da casa, chegamos a ter em torno de trinta pessoas, e assim surgiu em mim a necessidade da mudança do ambiente, embora a família que cedia o espaço de nada tenha se queixado em momento algum. Nós passamos a fazer, na casa da Cidinha e do Argeu, o trabalho de cura, com os médiuns de então. Posteriormente, também passamos a fazer lá o trabalho de desobsessão. Esses fatos começaram a me estimular a alugar, comprar, não sei, uma casa, para fundarmos um centro espírita.

Quando estas idéias estavam se fortalecendo em mim, numa noite, nós recebemos a mensagem de um espírito cuja presença foi muito forte em mim, identificando-se, no final, como “Léon Denis”. Nessa ocasião, disse estar satisfeito com o trabalho de todos e afirmou estar também admirado de ver um grupo tão pequeno e tão importante perto dos grandes centros e tão dedicado ao estudo sistematizado das obras espíritas. Passamos, por isso, a conhecer as obras de Léon Denis, de quem, até então, só tínhamos ouvido falar. A partir dessa comunicação, iniciamos o estudo de suas obras e conhecemos seus admiráveis ensinamentos. Depois de tudo isso, começamos a procurar um terreno.

Cidinha

Tudo começou com o Culto no Lar que realizávamos, em casa de minha mãe, Maria da Glória. Anos mais tarde, com a necessidade de se criar o Centro, começamos a nos preocupar com o nome que daríamos à instituição. Uma noite, após a reunião, estávamos todos sentados à mesa, quando o Altivo se dirigiu à mamãe e disse: _Dona Glória, já descobi um nome para o nosso centro.
_Qual? _ perguntou ela.
_Paz e Amor— respondeu ele.
Nesse instante, intercedi e falei que não poderia ser, porque havia uma escola de samba, na Rua Pacheco da Rocha, com aquele nome. Nosso irmão Altivo ficou tristonho e não se falou mais nisso. Passaram-se dois anos, quando ele sentiu a presença de um espírito que se dentificou como Léon Denis e o Centro passou a ser chamado de Centro Espírita Léon Denis. Eu tinha muita necessidade do trabalho de cura como também de desobsessão, como médium. Na realidade, comecei em uma tenda de Umbanda, depois fui para o Centro Caminheiros da Verdade tomar passe com uma preta velha. Costumávamos nos reunir, aos sábados, em casa de minha mãe. Foi quando chegaram a Neuza, a Elvira, a Nair, o Argeu e outras pessoas. A partir daí, e com o crescimento do número de pessoas, também aumentou o estudo.

Todas as dependências ficaram lotadas e, por muito grandes que fossem, tornaram- se pequenas. Começamos, então, a providenciar a compra do terreno, seguindo a orientação do Dr. Hermann. Dando continuidade ao trabalho, antes de comprarmos um terreno, passamos a ministrar passes de cura em minha casa e, depois de um certo tempo, a desobsessão. Um dia, recebemos uma comunicação do Espírito Balthazar, dizendo que havia gente entre nós com necessidade de passe de cura. Ele disse que teríamos que arrumar um lugar. Esperei que as pessoas decidissem alguma coisa e foi então que questionei se poderia ou não fazer o passe de cura em minha casa. O nosso companheiro Gildo respondeu que trabalho espírita em casa não daria certo, porque tínhamos conhecimento, através da Umbanda, de que a casa teria de ser preparada pelo chefe do terreiro. Deixei passar uma semana e voltei ao assunto. Minha casa era grande e eu tinha muita vontade de oferecê-la para os espíritos trabalharem. No mês seguinte, os espíritos perguntaram se havíamos resolvido alguma coisa. Obtivemos a autorização de Balthazar e, a partir dali, assim procedemos. Uma vez que a cura era realizada, por que não a desobsessão? Ficou determinado que a cura fosse realizada às quartas- feiras e a desobsessão às sextas- feiras.

Altivo

Todos esses trabalhos eram realizados na casa da Cidinha. Quando mudamos para a nossa sede atual, a cura era às terças-feiras. Os espíritos queriam que tivéssemos atividades. Por alguns anos, reservamos um domingo por mês para visitas ao Hospital Pedro II, no Engenho de Dentro. D. Glória, Cidinha e sua irmã Geni faziam visitas ao Hospital Carlos Chagas. Mais tarde, passamos a fazer irradiação, daqui do Centro, para o Hospital Carlos Chagas. Depois foi mudando para irradiação. Nessa época, ninguém sabia que André Luiz e Carlos Chagas eram o mesmo espírito.